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Responsabilidade Social

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Conceito

O que é a Responsabilidade Social das Empresas?

A responsabilidade social das empresas é, segundo o Livro Verde - “Promover um Quadro Europeu para a Responsabilidade Social das Empresas”, da Comissão Europeia,  “a contribuição voluntária das empresas para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo”, responsabilidade esta que se exprime “em relação a todas as partes afectadas pela empresa e que, por seu turno, poderão afectar os seus resultados”.
A empresa enquanto sujeito corporativo, faz parte da sociedade e tem obrigações de realização do bem comum que não se esgotam no cumprimento da lei e no pagamento pontual dos impostos e contribuições.

O conceito de responsabilidade social remete-nos para duas dimensões [1]: a dimensão interna e a dimensão externa.

No que respeita à dimensão interna o conceito foca essencialmente itens como:

- A gestão dos recursos humanos – ser uma empresa socialmente responsável implica a preocupação constante de formação/ qualificação dos seus recursos humanos, bem como pela garantia de igualdade de oportunidades e de remuneração, de perspectivas de carreiras, de estabilidade e segurança nos contratos [2], de oportunidade de participação nos lucros e capital. A qualidade no trabalho depende ainda da existência de um bom diálogo entre os quadros superiores da administração e os trabalhadores, bem como dos seus representantes.
Os projectos organizacionais deverão ter em consideração a sua coadunação com os projectos individuais e pessoais de cada trabalhador de forma a promover a sua efectiva participação, motivação e responsabilização.
Os trabalhadores percebem que trabalham para uma empresa que se preocupa com o bem-estar social e onde podem ampliar a sua cidadania. Os funcionários beneficiados pelas acções sociais da empresa e, principalmente, os que delas participam, são mais motivados, melhoram seu desempenho, aderindo aos programas da empresa. Logicamente que, possuir funcionários motivados, que vistam e suem a camisa da empresa é uma importante fonte de vantagem competitiva, nos dias de hoje;

- A saúde e segurança
– sobretudo, através da  aplicação de medidas legislativas;

- A adaptação à mudança – na medida em que a mudança provoca ansiedade, afectando a criatividade, produtividade e motivação dos trabalhadores. Assim sendo, a participação, através da auscultação dos implicados a par da informação e consulta aberta, poderá ser benéfica e mesmo minimizar os custos de acções de reestruturação;

- A gestão de recursos naturais e impacte ambiental
– i.e. a redução na exploração excessiva de recursos, emissões de poluentes e produção de resíduos. No Programa de Acção da Comunidade Europeia em matéria de ambiente encontram-se descritas as formas de identificar oportunidades de mercado e como realizar investimentos que sejam benéficos, numa óptica “win-win” para a empresa e, simultaneamente, para o ambiente. Nesta sequência, existe também um programa de assistência à conformidade que auxilia os Estados Membros a compreenderem quais os requisitos ambientais estabelecidos pela Comunidade Europeia, recompensando a eficácia ambiental [3], por via da identificação de bons desempenhos;

Isto é o que se relaciona, basicamente, com a forma como a empresa funciona no seu interior.


A responsabilidade social das empresas é intrínseca à sua eficácia organizacional, estando esta, por sua vez, ancorada à determinação dos factores chave para optimização da utilização de recursos que estão para além das questões exclusivamente económicas e concorrenciais.

No que respeita à dimensão externa, a responsabilidade social de uma empresa estende-se à :

- Comunidade Local – as empresas ao serem criadoras de impostos, benefícios, remunerações e emprego, contribuem para a dinâmica da sua envolvente. Paralelamente, também dependem das comunidades em que operam, da sua prosperidade e da sua estabilidade. A reputação e a sua imagem são essenciais para a sua competitividade.
No caso de empresas multinacionais a sua integração é determinante para o seu sucesso. Assim, procuram capitalizar as tradições e potencialidades do meio local.

- Direitos Humanos
– uma vez que esta é uma questão complexa é necessário discernir quais as áreas da responsabilidade da empresa e dos governos. No entanto, as primeiras devem zelar pelo cumprimento dos direitos humanos e pela aplicação de códigos de conduta que, por sua vez, devem basear-se nas convenções fundamentais das Organização Internacional do Trabalho, pelo que deverão efectuar crescentemente auditorias sociais para verificar se os códigos de conduta são efectivamente aplicados.

- Preocupações ambientais globais
– uma vez que os problemas ambientais se revestem de um carácter global, que extravasa fronteiras, as empresas deverão preocupar-se com os efeitos que a sua actividade poderá causar ao meio ambiente [4].
Os consumidores têm aqui um papel fundamental ao ter o poder de premiar produtos “amigos do ambiente”. Os rótulos ecológicos são um exemplo de incentivos baseados nos mercados passíveis de provocar uma evolução social positiva. Estes, permitem aos fabricantes demonstrar e comunicar aos seus clientes que os seus produtos respeitam o ambiente. São o resultado de estudos científicos e de consulta extensiva a diferentes agentes económicos e sociais. [5] A quota de mercado de produtos que ostentam um rótulo social tem vindo a crescer embora continue a ser reduzida. Para que os produtos que os ostentam sejam credíveis é necessária a verificação constante de que o produto esteja a ser executado de acordo com normas previamente estabelecidas.
Por exemplo, os consumidores, ao poderem escolher entre dois produtos de igual qualidade, embora de fabricantes distintos, preferirão adquirir daquele que não polui, que valoriza diversidade, optimizando as diferenças, de uma empresa que seja efectivamente uma empresa cidadã. Quando a própria população entender que empresas socialmente responsáveis merecem destaque, a sua sobrevivência estará garantida e a sua marca perpetuada pela seriedade com que actua e não pelo merchandising realizado.

- Parceiros Comerciais, Fornecedores e Consumidores -  a parceria é essencial para que no longo prazo se reduza a complexidade das operações efectuadas pelas empresas, bem como dos seus custos a par de um aumento da qualidade. Os efeitos da responsabilidade social de uma empresa extravasam para os seus parceiros, fornecedores e clientes.

 


[1] Conceito baseado no Livro Verde da Comissão Europeia, 2001.

[2] De acordo com a estratégia europeia de emprego.

[3] P.e. a Iniciativa Europeia de Eco-Eficiência.

[4] Empresas que o queiram fazer poderão aderir ao Pacto Global das Nações Unidas.

[5] O fabricante que deseje candidatar-se ao rótulo ecológico europeu deverá contactar o organismo competente nacional e provar que os seus produtos estão em conformidade com os critérios.